O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não foi contemplado com o Prêmio Nobel da Paz de 2025, apesar das intensas articulações de aliados republicanos e de líderes mundiais que defendiam sua indicação. A honraria, anunciada nesta sexta-feira, foi concedida à líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, reconhecida por seu “trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos e pela busca de uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”, segundo comunicado do Comitê Nobel Norueguês.
A reação da Casa Branca foi imediata e contundente. O diretor de comunicações, Steven Cheung, declarou que a decisão do comitê mostrou que “colocam a política acima da paz” e ressaltou que Trump possui “o coração de um humanitário”, destacando seu histórico de intervenção em conflitos globais. Em suas redes sociais, Cheung afirmou que não haverá ninguém com capacidade de “mover montanhas com a força pura de sua vontade” como o ex-presidente.
Trump, que por anos demonstrou interesse pelo Nobel, já havia expressado publicamente sua ambição pelo prêmio. Ele destacou seus esforços para mediar conflitos e disse que agiu motivado pela preservação de vidas, não pela premiação. “Eu fiz isso porque salvei muitas vidas”, afirmou.
O Fórum das Famílias de Reféns em Israel emitiu uma nota de apoio, afirmando que “nenhum prêmio ou a falta dele pode diminuir o profundo impacto que Trump teve em nossas famílias e na paz global”.
Embora o ex-presidente tenha recebido nomeações, várias chegaram após o prazo final de 2 de fevereiro de 2025. Entre as nomeações válidas, destaca-se a feita pela deputada republicana Claudia Tenney, de Nova York, em reconhecimento à sua mediação nos Acordos de Abraão, que normalizaram relações entre Israel e vários estados árabes em 2020.
Análise:
O resultado evidencia a complexidade na avaliação de figuras políticas para premiações internacionais. Apesar das contribuições atribuídas a Trump na mediação de conflitos, o Comitê Nobel optou por reconhecer o trabalho de uma líder que enfrenta riscos diretos em um contexto de repressão. A decisão destaca como o prêmio prioriza esforços contínuos e pessoais em prol da democracia e dos direitos humanos, mais do que a influência ou posição política global. A nomeação de Trump, embora legítima, enfrenta limitações pela temporalidade e pela natureza de sua atuação, muitas vezes intermediada por posições oficiais, contrastando com a atuação direta e arriscada de líderes como Machado. Isso reforça a percepção de que o Nobel da Paz valoriza iniciativas de impacto social concreto e sustentado, ainda que reconheça mediações diplomáticas importantes.
