A administração do Presidente Donald Trump tem intensificado ações federais que impactam diretamente estados Democratas, levantando acusações de partidarismo e questionamentos sobre o uso equitativo dos recursos públicos. Durante a recente paralisação do governo, projetos de infraestrutura, programas de energia limpa, escritórios regionais de saúde e iniciativas de segurança foram cancelados, suspensos ou realocados, enquanto estados Republicanos receberam tratamento diferenciado.
Em maio, por exemplo, a administração transferiu milhões de dólares de projetos do Corpo de Engenheiros do Exército, originalmente destinados a estados liderados por Democratas, como Califórnia e Washington, para territórios controlados por Republicanos. No mês seguinte, Trump anunciou a mudança da sede do Comando Espacial dos EUA do Colorado, que apoiou a candidata Democrata Kamala Harris, para o Alabama, estado que votou nele, embora tenha alegado que a decisão não tinha motivação política.
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) fechou cinco dos seus dez escritórios regionais, todos localizados em estados Democratas, mantendo abertos apenas quatro escritórios em territórios Republicanos. Paralelamente, a Casa Branca tem tentado bloquear projetos de energia nas costas de estados fortemente Democratas, como Connecticut, Maryland, Massachusetts e Rhode Island, enquanto projetos similares na Virgínia, governada por Republicanos, continuam sem restrições.
A paralisação do governo também teve impactos financeiros imediatos. No primeiro dia, $18 bilhões foram retidos para dois projetos de infraestrutura em Nova York. No dia seguinte, $7,6 bilhões em subsídios para energia limpa foram suspensos em 16 estados Democratas, e mais $2,1 bilhões foram cancelados em projetos de Chicago, cidade governada por Democratas.
Trump também anunciou o envio de tropas da Guarda Nacional para estados Democratas, como Illinois e Oregon, ignorando as objeções de governadores locais. A administração defende que essas decisões são baseadas em mérito e necessidade de segurança, mas líderes Democratas apontam um padrão de retaliação política que prejudica investimentos essenciais e a prestação de serviços públicos.
O padrão de atuação da Casa Branca se reflete em diversas frentes: a administração intensificou a pressão contra cidades-santuário, limitando a cooperação com agentes de imigração; cortou gastos com Medicaid em estados que expandiram o programa sob o Affordable Care Act; e direcionou auxílio a estados com histórico de apoio a Trump, enquanto restringiu recursos em áreas Democratas.
Estados Democratas reagiram judicialmente. Onze estados e o Distrito de Columbia processaram o Departamento de Segurança Interna após cortes abruptos de $233 milhões em financiamento antiterrorismo, alegando punição política. Uma juíza federal bloqueou temporariamente os cortes, considerando-os irregulares, e embora parte do financiamento tenha sido restaurado, outras áreas ainda permanecem sem recursos.
Análise:
O uso do poder federal para favorecer áreas politicamente alinhadas a um partido e prejudicar regiões hostis eleva preocupações sobre equidade e governança democrática. Embora decisões administrativas possam priorizar projetos com base em mérito técnico, o padrão observado indica que a política partidária tem sido um fator determinante. Uma abordagem mais equilibrada, com critérios claros e transparência, poderia garantir que políticas públicas essenciais, como saúde, segurança e energia, beneficiem toda a população, independentemente de orientação política, fortalecendo a confiança nas instituições federais.
