O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou neste domingo (12) em Roma, Itália, para participar da abertura do Fórum Mundial da Alimentação, promovido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), marcado para esta segunda-feira (13). A comitiva chegou por volta das 10h30, no horário local, equivalente às 5h30 em Brasília, trazendo ao centro das discussões internacionais a experiência brasileira no combate à fome.
O convite para a participação no evento partiu do diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, em julho, após o Brasil sair novamente do Mapa da Fome, indicador que considera a população em risco de subnutrição. De acordo com o presidente, mais de 30 milhões de brasileiros deixaram de passar fome nos últimos dois anos e meio, um feito que será tema central de seu discurso como orador principal do fórum.
Além do Fórum, Lula terá audiência com o Papa Leão XIV no Vaticano, em sua primeira reunião com o líder da Igreja Católica desde a eleição do pontífice, em maio deste ano. A visita busca reforçar o engajamento do Brasil em questões humanitárias e a articulação entre ações governamentais e iniciativas de organizações internacionais e religiosas.
Durante a viagem, o presidente também participará da segunda reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa co-presidida pelo Brasil e Espanha. O encontro, realizado em formato híbrido, avaliará o progresso das ações iniciadas em 2024, além de reconhecer boas práticas em segurança alimentar e agricultura sustentável. A Aliança reúne quase 200 membros, incluindo 102 países, 53 fundações, 30 organizações internacionais e 14 instituições financeiras, consolidando-se como um dos maiores esforços globais de erradicação da fome.
Entre os pontos de destaque da reunião estão os avanços da Iniciativa de Implementação Acelerada (Fast Track), que apoia planos nacionais de combate à fome em países como Etiópia, Quênia, Haiti, Ruanda e Zâmbia. Os resultados preliminares devem ser apresentados na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Social da ONU, em Doha, no Catar, no próximo dia 3 de novembro.
O presidente também inaugurará o espaço da Aliança Global que funcionará como secretariado da iniciativa, com escritórios em Brasília, Adis Abeba, Bangkok e Washington. A expectativa é que o local fortaleça a coordenação entre países, instituições e financiadores, permitindo respostas mais ágeis e eficientes a crises alimentares.
Análise:
A presença do Brasil no Fórum da FAO demonstra não apenas a relevância internacional do país na pauta de segurança alimentar, mas também reforça a necessidade de consolidar políticas internas sustentáveis que previnam retrocessos. Embora a redução da fome em milhões de pessoas seja um avanço significativo, o desafio permanece em manter essas conquistas a longo prazo, com programas estruturados de acesso à alimentação, educação nutricional e apoio à agricultura familiar.
A articulação entre governos, organizações internacionais e sociedade civil é essencial, mas requer transparência e avaliação constante dos resultados. A criação de um secretariado permanente da Aliança é um passo positivo, pois permite maior coordenação e monitoramento. Ainda assim, é importante que tais estruturas estejam acompanhadas de indicadores claros e planos de contingência, garantindo que emergências alimentares possam ser respondidas rapidamente, evitando que ganhos recentes sejam perdidos.
Em resumo, a viagem de Lula a Roma simboliza o protagonismo brasileiro na agenda global de combate à fome, mas reforça o alerta: a consolidação de políticas públicas sólidas, inclusivas e sustentáveis é tão importante quanto o reconhecimento internacional. A construção de mecanismos de cooperação e inteligência alimentar deve ser contínua, e o Brasil pode se tornar referência global se transformar esses compromissos em ações permanentes e mensuráveis.
