Os Estados Unidos anunciaram que removerão tarifas sobre determinados alimentos e produtos importados da Argentina, Equador, Guatemala e El Salvador. A medida faz parte de acordos-quadro em fase final de negociação. O governo norte-americano afirma que a iniciativa deve reduzir preços internos e ampliar o acesso comercial a esses mercados.
Os Estados Unidos informaram que irão retirar tarifas de parte das importações provenientes da Argentina, do Equador, da Guatemala e de El Salvador, como resultado de acordos-quadro que também ampliarão as possibilidades de atuação de empresas norte-americanas nesses países. Segundo uma autoridade de alto escalão do governo Trump, a expectativa é de que a medida contribua para reduzir os preços de alimentos como café, bananas e outros itens consumidos amplamente no mercado interno.
A autoridade afirmou que os acordos devem ser concluídos nas próximas duas semanas, com possibilidade de novos entendimentos antes do fim do ano. De acordo com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, o governo pretende anunciar medidas “substanciais” nos próximos dias, voltadas a diminuir o custo de vida para a população norte-americana. Entre os efeitos esperados, estão reduções nos preços de café, bananas e outras frutas.
O presidente Donald Trump tem enfatizado a pauta da acessibilidade econômica após derrotas eleitorais recentes de candidatos republicanos em Nova Jersey, Nova York e Virgínia. Segundo economistas citados pela autoridade, parte da pressão sobre os preços decorre das tarifas de importação aplicadas pelo próprio governo Trump a diversos países.
As conversas comerciais com outras nações da América Central e do Sul foram classificadas como “construtivas”, com possibilidade de novos acordos até o final de 2024. Reuniões realizadas na quinta-feira (13) com representantes da Suíça e de Taiwan também foram consideradas positivas por autoridades norte-americanas.
Os acordos-quadro anunciados nesta quinta-feira preveem a manutenção de tarifas de 10% para a maioria dos produtos de El Salvador, Guatemala e Argentina, mercados nos quais os Estados Unidos registram superávits comerciais moderados. No caso do Equador, onde há déficit comercial, as tarifas permanecem em 15%. Contudo, haverá remoção de tarifas para produtos que não são cultivados ou produzidos em território norte-americano, como bananas e café do Equador.
Assim como acordos assinados com países asiáticos em outubro, esses entendimentos incluem compromissos de não cobrança de impostos sobre serviços digitais de empresas norte-americanas, além da redução de tarifas sobre determinados itens agrícolas e industriais dos Estados Unidos. A autoridade destacou que os acordos permitem ao país manter tarifas estratégicas, conceder alívio tarifário pontual e simultaneamente ampliar mercados externos.
Na Argentina, o anúncio foi bem recebido. O ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, afirmou que a estrutura do acordo cria condições favoráveis à ampliação de investimentos norte-americanos no país. Ele agradeceu ao presidente Javier Milei pela “convicção” na condução do processo.
Análise
Os acordos-quadro representam uma estratégia comercial voltada a equilibrar a proteção tarifária mantida pelos Estados Unidos com a abertura seletiva de mercados externos. A expectativa do governo norte-americano de reduzir preços internos e ampliar competitividade reflete a prioridade atribuída ao custo de vida, especialmente após os resultados eleitorais recentes. A medida também reforça a aproximação diplomática com países da América Latina em um contexto de negociações comerciais mais amplas.
