O deputado federal Duarte Jr (PSB-MA), vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), registrou um boletim de ocorrência junto à Polícia Legislativa Federal após afirmar ter recebido ameaças do deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA). As mensagens teriam sido enviadas após o depoimento do presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Linconl Ferreira, à comissão.
De acordo com Duarte Jr, as ameaças ocorreram por meio de um aplicativo de mensagens, durante uma conversa mantida com o parlamentar estadual. Segundo o relato, Edson Araújo o ofendeu e fez insinuações de intimidação após ser questionado sobre repasses financeiros ligados à CBPA, entidade da qual é vice-presidente.
A confederação é investigada no âmbito da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrada em abril deste ano. As investigações apuram uma fraude bilionária que teria causado prejuízos a milhões de aposentados e pensionistas, com descontos indevidos de mensalidades associativas em benefícios previdenciários.
Durante a reunião da CPMI, Abraão Linconl Ferreira, presidente da CBPA, foi preso após, segundo os parlamentares, prestar informações falsas e se recusar a responder às perguntas. Duarte Jr relatou que, na sessão, questionou o dirigente sobre a movimentação de recursos da confederação. “Indagamos o motivo de a CBPA, após subtrair R$ 123 milhões das contas de aposentados e pensionistas, ter depositado mais de R$ 3,5 milhões na conta de Edson Araújo e R$ 1,5 milhão em contas de seus assessores”, declarou o deputado.
Logo após o depoimento, Duarte Jr afirmou ter recebido as mensagens de Edson Araújo via aplicativo. No diálogo, o deputado estadual teria dito: “Palhaçada. Quer aparecer. Lugar de palhaço é no circo”. Segundo Duarte, o tom das mensagens se tornou ameaçador quando Araújo escreveu: “Nós ainda vamos nos encontrar”. Ao ser questionado se estaria ameaçando o colega, ele teria respondido: “Estou. Por quê?”.
Diante da situação, Duarte Jr solicitou reforço de segurança à Presidência da Câmara dos Deputados e pediu que o caso fosse encaminhado à Polícia Federal. O deputado também defendeu que a CPMI convoque Edson Araújo a depor e aprove a quebra do sigilo bancário do parlamentar estadual. Além disso, pediu ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) a expulsão de Araújo de seus quadros.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), confirmou que o pedido de proteção foi aceito pela Presidência da Câmara. “Será oficiado ao deputado Hugo Motta para que, junto à Polícia Legislativa, garanta a segurança do deputado Duarte e de sua família em Brasília, e que a PF atue na proteção no Maranhão”, informou o senador.
Em nota, o diretório estadual do PSB no Maranhão declarou que o pedido de abertura de processo disciplinar contra Edson Araújo será analisado pelo Conselho de Ética do partido “com rigor, celeridade e transparência”, assegurando o direito de defesa aos envolvidos.
A reportagem da Agência Brasil informou que entrou em contato com o gabinete do deputado estadual Edson Araújo, que ainda não se manifestou sobre o caso.
Análise
O episódio revela um embate interno em meio às investigações da CPMI do INSS, que busca apurar um esquema de desvios envolvendo entidades representativas de trabalhadores. As denúncias e a suposta ameaça entre membros do mesmo partido expõem tensões políticas e reforçam a necessidade de transparência nas apurações. O caso também evidencia o impacto das ações parlamentares sobre a condução de investigações de grande alcance social e financeiro.
