Durante a tradicional celebração do dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, realizada neste domingo (12) no Santuário Nacional de Aparecida (SP), o arcebispo Dom Orlando Brandes fez um apelo contundente para que os políticos eleitos pelo povo votem em leis que priorizem os pobres. O discurso ocorreu durante a missa das 08h, momento que também contou com a presença do presidente em exercício, Geraldo Alckmin, que acompanhou a homilia e reforçou a importância do olhar atento às populações vulneráveis.
Em seu sermão, Dom Orlando enfatizou a invisibilidade social que atinge milhões de brasileiros, criticando a negligência de parte da sociedade em relação à pobreza e à desigualdade. “Para muitos, os pobres são invisíveis. Para outros, são criticados ou chamados de vagabundos. Que a Mãe Aparecida nos ajude e que os que foram eleitos votem em leis favoráveis ao povo de Deus, favoráveis aos pobres”, declarou, sendo amplamente aplaudido pelo público presente.
O arcebispo também chamou atenção para a necessidade de reduzir desigualdades sociais e pediu que Nossa Senhora Aparecida interceda para que avanços sejam contínuos no país. “Vamos pedir duas esperanças para o povo brasileiro: a diminuição da pobreza, que promove convivência e paz, e a redução das desigualdades sociais, que, embora numerosas, podem ser diminuídas”, completou. Além disso, Dom Orlando incentivou os fiéis a romperem “as correntes das ideologias, do mal, do álcool, das drogas e de tantas outras correntes” que limitam a liberdade e o desenvolvimento humano.
Em entrevista após a missa, Alckmin reforçou o valor do sermão e ressaltou o contexto internacional da luta contra a fome. Ele comentou sobre a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Roma para participar da Semana Mundial da Alimentação da FAO e de encontros da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, destacando que “é preciso olhar para aqueles que sofrem” e reconhecer os avanços já conquistados, como a saída do Brasil do Mapa da Fome, mas lembrando que esta é uma tarefa contínua.
A celebração da padroeira é um dos momentos mais significativos para a comunidade católica brasileira. Este ano, segundo levantamento do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), ligado à Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, eram esperados 450 mil visitantes no Santuário Nacional. Entre eles, cerca de 40 mil romeiros percorreram longas distâncias a pé, cumprindo promessas ou pedindo graças, mesmo enfrentando dificuldades físicas. A movimentação econômica direta estimada para o evento chega a R$ 168,8 milhões, demonstrando a relevância do turismo religioso para o interior paulista.
Análise :
A homilia de Dom Orlando destaca um ponto crucial da política e da sociedade brasileira: a necessidade de priorizar os mais vulneráveis na formulação de leis e políticas públicas. Embora avanços recentes na redução da pobreza sejam comemoráveis, a desigualdade social ainda é um desafio persistente. A missa, ao enfatizar a responsabilidade ética dos representantes eleitos, reforça a importância de uma visão de governo comprometida com justiça social e inclusão.
É fundamental que a retórica sobre o cuidado com os pobres se traduza em ações concretas e monitoráveis, como políticas de transferência de renda, investimentos em educação, saúde e infraestrutura social. Ao mesmo tempo, a presença de líderes políticos em celebrações religiosas oferece uma oportunidade de diálogo e sensibilização, mas também exige que promessas de atenção aos mais necessitados sejam acompanhadas de resultados mensuráveis. O exemplo dos romeiros, que superam dificuldades para demonstrar fé e esperança, reforça simbolicamente a urgência de políticas públicas que não deixem ninguém para trás.
