O pré-sal brasileiro ganhou um novo reforço nesta terça-feira (30). A Petrobras anunciou a chegada do navio-plataforma P-78 ao Campo de Búzios, na Bacia de Campos, localizado a 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro. O FPSO (Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência) tem capacidade de produzir 180 mil barris de petróleo por dia e comprimir 7,2 milhões de m³ de gás diariamente.
A P-78 é a sétima plataforma a operar em Búzios, que já ultrapassou a marca de 900 mil barris diários, segundo a diretora de Exploração e Produção da estatal, Sylvia Anjos. Com o novo FPSO, a expectativa é de que a produção no campo cresça em até 20%, consolidando-o como um dos maiores polos de petróleo do planeta.
O transporte da estrutura de Singapura, iniciado em julho, contou com um diferencial logístico: a tripulação brasileira já embarcada durante a viagem. A prática, usada pela última vez em 1999, permitiu antecipar treinamentos e reduzir em cerca de duas semanas o início da operação. Agora, a plataforma passa por serviços de ancoragem e interligação com os poços, processo que deve durar aproximadamente dois meses.
A construção da P-78 envolveu estaleiros em China, Coreia do Sul e Singapura, além da participação brasileira na montagem de módulos em Angra dos Reis (RJ). O modelo de produção internacionalizado, mas com inserção local, reafirma a relevância do Brasil na cadeia global de energia.
Pré-sal, riqueza estratégica
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o pré-sal responde hoje por cerca de 80% da produção de petróleo e gás do país. Descoberta em 2006, essa reserva tornou o Brasil autossuficiente em óleo, ao mesmo tempo em que oferece ao mercado internacional um petróleo leve e de alto valor comercial.
Mais do que números, a chegada da P-78 simboliza o avanço tecnológico e estratégico da Petrobras. Com cada novo FPSO, o Brasil não apenas fortalece sua soberania energética, mas também amplia seu protagonismo na geopolítica do petróleo, equilibrando produção sustentável, inovação e competitividade internacional.
