O Hospital Regional de Taguatinga (HRT) realizou, no último fim de semana, um mutirão de colposcopias que atendeu 174 mulheres em busca de diagnóstico precoce de cânceres ginecológicos. A iniciativa fez parte da campanha Setembro em Flor, organizada pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) em parceria com o Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA).
A ação não se limitou apenas ao exame. Para muitas pacientes, foi a oportunidade de iniciar imediatamente o tratamento, evitando a evolução de lesões para casos mais graves de câncer do colo do útero. O esforço coletivo de médicos, enfermeiros e voluntários revelou a capacidade do sistema público de saúde em oferecer respostas ágeis quando há organização e planejamento.
Um passo adiante na prevenção
Nos últimos anos, o câncer de colo do útero tem se mantido como uma das principais causas de morte por câncer entre mulheres no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de 17 mil novos casos em 2025, sendo o HPV o principal agente causador. Nesse cenário, mutirões como o do HRT se tornam estratégicos, pois rompem a barreira da espera prolongada e levam o exame a quem mais precisa.
Ao incluir a colposcopia — exame que permite a detecção precisa de lesões — no atendimento imediato, o HRT mostrou que é possível oferecer qualidade e rapidez na rede pública. Pacientes como Maria, 22 anos, destacaram a agilidade do processo: em menos de uma semana, ela foi encaminhada da UBS em Samambaia para o exame em Taguatinga.
Ações que precisam ser permanentes
Iniciativas como essa evidenciam a importância da descentralização e da continuidade. Ainda que o Setembro em Flor concentre esforços em um único mês, a demanda por exames ginecológicos é constante. Somente em 2024, a SES-DF registrou aumento de 22% nos pedidos de colposcopias em comparação a 2023, o que reforça a necessidade de expandir esse tipo de atendimento para outras regiões administrativas.
Além disso, a vacinação contra o HPV — oferecida gratuitamente na rede pública — deve ser fortalecida. Atualmente, a cobertura vacinal no DF ainda está abaixo da meta de 90% recomendada pelo Ministério da Saúde, girando em torno de 65% entre meninas e 52% entre meninos de 9 a 14 anos. Isso mostra que, apesar de avanços, a prevenção enfrenta o desafio da conscientização familiar e escolar.
Um modelo a ser seguido
O mutirão de Taguatinga representa mais do que números: é um exemplo de como o SUS pode ser eficiente quando une mobilização social, profissionais capacitados e políticas de prevenção. Ações pontuais já demonstraram resultados positivos, mas o grande desafio é transformá-las em políticas permanentes.
No fim, o que se viu em Taguatinga foi mais do que um mutirão: foi um lembrete de que a vida das mulheres pode ser salva quando saúde pública, ciência e gestão caminham juntas.
